Friday, March 31, 2006

Breve Curriculum de D.António Marto



-D. António Augusto dos Santos Marto
-Nascimento: 05.V,1947, em Tronco, Concelho de Chaves
-Ordenação Presbiteral: 07.XI.1971, em Roma.
-Nomeação Episcopal:10.XI.2000,
para Auxiliar de Braga com o título de Bladia.
-Ordenação Episcopal: 11.II.2001,
na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Vila Real.
-Em 22.IV.2004 foi nomeado Bispo de Viseu.
-Tomada de posse em 20.VI.2004.
-Endereço: Casa Episcopal, R. Nunes de Carvalho,
12, 3500-163 VISEU.
-Tel. 232435857; Fax 232429547;

Para acederem à carta pastoral, cliquem na imagem abaixo apresentada



“Não há memória que um Bispo seja transferido assim em tão pouco tempo”

Esta será a última oportunidade de conversar com D. António Marto como Bispo de Viseu?( Sorrisos) Nos meios eclesiásticos e nos meios jornalísticos fala-se, de facto, de uma possível transferência para a Diocese de Leiria. Neste momento, não tenho nenhuma nomeação oficial. Mas tem algum fundamento a transferência de D. António Marto para Leiria?É possível que, em Fátima, tenham indicado o meu nome porque participei nos congressos sobre Fátima, escrevi artigos... Agora, de concreto, até ao momento, não há nada. Continuo na expectativa, mas é uma possibilidade e não posso descartá-la.É normal um bispo, passado ano e meio de ser nomeado para uma diocese ser transferido?Não há memória que um bispo seja transferido assim em tão pouco tempo de uma diocese para outra, pelo menos nos últimos 50 anos.Isso diz alguma coisa.Sim (pensa)...E se lhe dessem a escolher?Eu optaria por Viseu. Gosto imenso de estar aqui, tenho óptimos colaboradores, o povo é acolhedor e afectuoso. Depois, estou há pouco tempo. O primeiro ano foi para conhecer, agora é que estava a arrancar com certas iniciativas. De qualquer modo, o bispo, quando é ordenado bispo é para a Igreja universal.Sendo uma passagem rápida, o que lhe merece destaque na Diocese de Viseu?As visitas pastorais. A visita pastoral é a alma do governo do bispo, não se trata de um governo meramente burocrático, de quem preenche lugares, mas de quem está à beira do povo para animar a vitalidade da fé e do testemunho das comunidades cristãs. E, depois, a preparação para a celebração da beatificação de Madre Rita.Quais foram as grandes preocupações transmitidas durante as duas visitas pastorais que efectuou [Oliveira de Frades e Vouzela]?Primeiro, é o redespertar da fé. Vivemos num mundo completamente diferente do de há 20 ou há 30 anos. Um mundo pluralista do ponto de vista cultural e social, do ponto de vista religioso e, por conseguinte, hoje é preciso ter cristãos adultos com uma fé consciente, livre e responsável. E isso não se faz sem formação. Daí derivou a abertura da Escola de Formação Cristã para leigos.A adesão ultrapassou todas as expectativas (160 participantes). É um sinal de quê?É um sinal de que há uma ânsia de conhecer a fé por dentro. Grande parte das pessoas fica por aquilo a que chamamos a catequese infantil. Quem tem falhado?Às vezes, há falta de iniciativas muito concretas e acessíveis.Falava das preocupações registadas nas visitas pastorais.Há a necessidade de fazer da comunidade cristã uma casa e uma escola de comunhão na prestação dos vários serviços. Às vezes, olha-se para a Igreja como uma espécie de supermercado religioso, onde se vai quando é preciso, encomendar um baptizado, um casamento ou um funeral. Falta essa pertença viva. Uma terceira preocupação é a coragem da fé.A falta dela?Sim. Apoderou-se de muitos cristãos um complexo de inferioridade pelo qual têm vergonha de se assumirem como cristãos. Pensa-se que ter fé é uma coisa fora de moda. Às vezes, até se olha para os cristãos como sendo uma espécie de últimos dinossauros em vias de extinção. É preciso despertar a coragem da fé.Há hoje uma falsa ideia do que é ser cristão?Muitas vezes há. Como se reduzisse a religião a uma espécie de fardo, com um conjunto de obrigações que Deus impôs sobre os ombros das espécies mortais e não se lhe descobre a beleza, nem se lhe toma o gosto.Porquê?Muito pelo ambiente de indiferença que rodeia as pessoas, de hostilidade cultural proveniente de um racionalismo que não admite a luz da fé na vida das pessoas e, por vezes, a própria ignorância religiosa, que não permite dar respostas aos problemas culturais que se apresentam. Quando vai ao terreno sente que há pessoas com falta apoio familiar e social?A alegria sentida pelas pessoas explica tudo. Noto é que há muita gente só.Sentiu a solidão dos idosos?E não imaginava que era tanta gente. Chocou-me ver idosos que vivem sozinhos em casa, não têm mais ninguém e o que lhes vale é apoio domiciliário mas não chega. Eu tenho dito nas paróquias para haver grupos. Não é serviço exclusivo de um padre visitar os dentes e dar-lhes o apoio espiritual e moral para não sentirem solidão. Os grupos de apoio aos idosos, o chamado voluntariado cristão, é necessário.De que forma está a desenvolver a pedagogia vocacional que fala na Carta Pastoral e que constitui um problema para a Igreja?As pessoas pensam que a cultura vocacional diz apenas respeito à Igreja, mas o problema vocacional é sentido a vários níveis: os políticos queixam-se da falta de vocação, os sindicatos a mesma coisa, o associativismo, o voluntariado sofre da falta de vocação. Isto é sintoma da falta de uma cultura vocacional, e a Igreja ressente-se disso. O mundo está resignado?(risos) Não podemos ficar resignados e a primeira preocupação é envolver as comunidades cristãs. As pessoas pensam que as vocações é um problema do Bispo. Chegam aqui e dizem “Senhor bispo, precisamos de um padre”, como se eu tivesse aqui um padre disponível. É preciso fazer passar esta ideia de que o problema vocacional não se vive apenas a nível da igreja. Para tal, gostaria que em todas as paróquias houvesse um grupo de animadores vocacionais.Voltamos ao início da conversa.Exactamente. Se tivermos comunidades mais vivas de fé, teremos mais vocação.
in Jornal do Centro (adaptado)





D. António Augusto dos Santos Marto

Nota Biográfica
António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Viseu, nasceu a 5 de Maio de 1947, em Tronco, Concelho de Chaves. No Seminário da Diocese, Vila Real, fez os estudos humanístico-teológicos, que prosseguiu no Seminário Maior do Porto.Já em Roma, foi ordenado presbítero a 7 de Novembro de 1971. Aí, prosseguiu estudos de especialização em Teologia Sistemática na Pontificía Universidade Gregoriana (1970-1977), onde fez a licenciatura e o doutoramento que concluiu com a tese sobre “Esperança cristão e futuro do homem. Doutrina escatológica do Concílio Vaticano II”.Quando regressou a Portugal, nesse ano de 1977, dedicou-se à formação no Seminário da Diocese do Porto, acompanhando os alunos da Diocese de Vila Real e, sobretudo, ao ensino superior: foi prefeito no Seminário Maior do Porto; professor de Teologia do Instituto de Ciências Humanas e Teológicas-Porto, no Centro de Cultura Católica do Porto, na Faculdade de Teologia da Universidade Católica (Centro Regional do Porto, nomeadamente) e na Faculdade de Direito da UCP.Antes da ordenação episcopal, era Director-Adjunto da Faculdade de Teologia da UCP, no Núcleo Regional do Porto, sócio da Sociedade Científica da UCP e da Associação Europeia de Teólogos Católicos. Colabora nas revistas “Humanística e Teológica”, “Communio” e “Theologica”.Para além da actividade académica, das suas actividades pastorais, destacam-se: colaborador regular na paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no Porto, e na paróquia do Bom Jesus de Matosinhos. Trabalhou com o Movimento de Estudantes Católicos (MCE) e com a Liga Operária Católica (LOC). Trabalhou também na catequese de adultos, na Diocese do Porto e, em colaboração com D.Manuel Pelino, publicou o livro “Catequese para o Povo de Deus, em dois volumes.Nomeado Bispo auxiliar de Braga, com o título de Bladia, a 10 de Novembro de 2000, a ordenação episcopal celebrou-se em Vila Real, a 11 de Fevereiro de 2001, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição.Cargos da Conferência Episcopal: Desde 2002, assegura a presidência da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé e Ecumenismo; Vogal da Comissão para Educação Cristã, durante dois mandatos; Vogal da Comissão Fé e Cultura em dois mandatos; é actualmente membro do Conselho Permanente. Representou a Conferência Episcopal Portuguesa, no Sínodo dos Bispos de Outubro de 2005, sobre a Eucaristia.
Papa e Bispo de Viseu